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title: "Shore power avança com medição de emissões nos portos"
author: "Redação"
date: "2026-09-29 12:15:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/29/shore-power-avanca-com-medicao-de-emissoes-nos-portos/md"
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## Resumo
- O JNPA, na Índia, recebeu compromisso de US$ 70 milhões da IFC para instalar shore power em sete terminais.
- A infraestrutura terá subestações de 33 kV, conversores de frequência e pontos de conexão alimentados pela rede nacional indiana.
- A operação completa do projeto estima o fornecimento anual de 119.084 MWh aos navios atracados.
- Portsmouth conectou três embarcações simultaneamente ao sistema de energia em terra em 23 de setembro de 2026.
- O sistema britânico recebeu £24,4 milhões em recursos públicos e projeta cortar cerca de 20.000 toneladas de CO2e a partir de 2027.
- GTT Marine e Normec Verifavia automatizaram a transferência de dados de desempenho, viagens e emissões.
- A eletrificação portuária passa a exigir tanto capacidade operacional quanto verificação digital dos resultados ambientais.

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Em **23 de setembro de 2026**, o Porto Internacional de Portsmouth conectou três embarcações simultaneamente ao seu sistema de energia em terra, enquanto o Jawaharlal Nehru Port Authority, na Índia, avançou com um financiamento de **US$ 70 milhões** para instalar a mesma tecnologia em sete terminais. Na frente digital, GTT Marine e Normec Verifavia anunciaram uma integração para transferir automaticamente dados de desempenho, viagens e emissões. Os três movimentos mostram uma mudança na eletrificação portuária: a infraestrutura precisa desligar motores auxiliares a diesel durante a atracação, mas os ganhos ambientais também dependem de registros capazes de comprovar o resultado.

## Eletrificar exige rede dedicada

Na Índia, a **IFC**, braço de investimento privado do Banco Mundial, comprometeu US$ 70 milhões, cerca de ₹672 crore, para financiar a implantação de energia em terra no JNPA. O projeto é considerado o primeiro financiamento azul direcionado ao setor marítimo do país. A estrutura financeira foi desenhada como um empréstimo comercial externo de dez anos, sem garantia soberana, o que coloca a expansão da infraestrutura portuária dentro de uma operação de crédito vinculada ao próprio projeto.

A primeira fase da implantação no JNPA está concentrada no terminal **APM**, enquanto a segunda deverá cobrir os demais terminais incluídos no programa. A infraestrutura incluirá subestações de **33 kV** e conversores de frequência, equipamentos necessários para adequar o fornecimento terrestre às características elétricas das embarcações. A divisão em duas etapas permite associar a instalação física à ampliação gradual do atendimento, em vez de tratar a conexão dos navios como um equipamento isolado no cais.

O projeto do JNPA abrange **sete terminais** e prevê pontos de conexão para que os navios recebam eletricidade da rede nacional indiana. Quando as duas fases estiverem operacionais, a estimativa é de consumo anual de **119.084 MWh** de energia fornecida em terra. Esse volume transforma a conexão elétrica em uma operação recorrente, com exigências de disponibilidade, compatibilidade entre rede e navio e registro do consumo ao longo das escalas.

## Operação transforma promessa em evidência

Portsmouth ofereceu uma demonstração operacional em escala simultânea. O sistema atingiu sua capacidade máxima ao conectar o navio de cruzeiro **Amadea** e os navios híbridos Saint-Malo e Guillaume de Normandie no mesmo momento. A ocorrência mostra que o desempenho de uma instalação de energia em terra não depende apenas da existência de um ponto de conexão, mas também da capacidade de atender diferentes embarcações em uma operação coordenada de cais.

A implantação britânica recebeu **£19,8 milhões** do Departamento de Transportes e £4,6 milhões do Conselho Municipal de Portsmouth. A projeção é reduzir cerca de **20.000 toneladas de CO2e** a partir de 2027. No JNPA, a expectativa é reduzir as emissões de carbono em 63% e a poluição do ar em até 90%, além de criar mais de 400 empregos. As métricas são diferentes, mas apontam para a mesma necessidade: dimensionar a infraestrutura e definir previamente como o resultado será calculado.

A comparação entre os projetos separa duas etapas da transição. O JNPA está estruturando uma rede para sete terminais, com subestações, conversores e conexões alimentadas pela rede nacional. Portsmouth já levou três embarcações ao limite operacional do sistema em uma única ocasião. A primeira frente mede capacidade instalada e consumo projetado; a segunda acrescenta a experiência concreta de uso, que permite observar a disponibilidade do sistema e a resposta das operações de atracação.

## Sem dados, a redução fica incompleta

A camada de medição ganhou forma na parceria entre **GTT Marine** e Normec Verifavia. A integração conecta a ferramenta Vesper Insights, da GTT Marine, ao painel de verificação da Normec Verifavia. O sistema permite transferir automaticamente dados sobre desempenho dos navios, viagens e emissões, substituindo o envio manual de arquivos por um fluxo digital entre a operação marítima e a verificação.

A transferência automatizada foi projetada para eliminar trocas manuais de arquivos e auxiliar os operadores na conformidade com regras como **EU ETS** e FuelEU Maritime. Na prática, o dado deixa de ser apenas um registro produzido ao final da viagem e passa a alimentar um processo contínuo de acompanhamento. Esse desenho aproxima a operação de energia em terra da prestação de contas ambiental, porque associa o uso da eletricidade a informações verificáveis sobre o navio e a viagem.

A transição portuária entra, portanto, em uma fase em que instalar cabos e conectar navios já não encerra o projeto. O próximo marco do JNPA é colocar as duas fases em operação e acompanhar o consumo anual estimado de 119.084 MWh; em Portsmouth, a referência anunciada é uma redução de cerca de 20.000 toneladas de CO2e a partir de 2027. Com a integração digital da GTT Marine e da Normec Verifavia, a redução deixa de depender apenas da declaração do operador e passa a ser acompanhada por dados de desempenho, viagens e emissões.