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title: "Shore power avança em Portsmouth e JNPA com modelos distintos"
author: "Redação"
date: "2026-09-29 08:21:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/29/shore-power-avanca-em-portsmouth-e-jnpa-com-modelos-distintos/md"
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## Resumo
- Portsmouth colocou em operação o primeiro sistema britânico de shore power de alta tensão e múltiplos berços.
- A instalação suporta conexões de 11 kV e 6,6 kV em frequências de 50 Hz e 60 Hz.
- O sistema pode atender até três embarcações simultaneamente e já recebeu navios de cruzeiro e ferries.
- A IFC concederá um empréstimo de US$ 70 milhões à JNPA para financiar a implantação comercial de shore power na Índia.
- O projeto indiano permitirá desligar motores auxiliares a diesel durante a atracação e conectar os navios à rede elétrica local.
- As reduções de emissões e poluição divulgadas para o JNPA são estimativas, não resultados operacionais medidos.

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Em setembro de 2026, o **Portsmouth International Port**, no Reino Unido, colocou em operação seu sistema de energia em terra de alta tensão e múltiplos berços, desenvolvido com a **ABB**. Em 24 de setembro, em Nova Délhi, a **IFC** assinou um empréstimo de US$ 70 milhões com a **Jawaharlal Nehru Port Authority** para financiar infraestrutura semelhante na Índia. Os dois anúncios tratam de shore power, mas ocupam pontos diferentes da implantação: Portsmouth já conecta embarcações, enquanto o JNPA ainda estrutura a execução comercial. A diferença permite comparar capacidade operacional instalada com financiamento para construir a infraestrutura.

## Portsmouth já testa a escala

Em Portsmouth, a infraestrutura britânica entrou em serviço como o primeiro sistema de alta tensão e múltiplos berços do Reino Unido. A solução suporta conexões de **11 kV e 6,6 kV** em frequências de 50 Hz e 60 Hz, configuração destinada a atender diferentes requisitos elétricos de embarcações. O projeto foi concebido para navios comerciais de passageiros e já ultrapassou a etapa de instalação. Os detalhes técnicos estão reunidos na [descrição da ABB](https://new.abb.com/news/detail/138861/abb-brings-uks-first-high-voltage-multi-berth-shore-power-system-into-service-in-portsmouth-international-port), que apresenta o sistema como uma operação portuária em serviço.

A capacidade aparece na possibilidade de atender **até três embarcações simultaneamente**. A infraestrutura inclui "e-houses", equipamentos instalados em contêineres, além de soluções de gerenciamento de cabos para organizar a conexão entre o cais e os navios. A **ABB** responde pela infraestrutura elétrica principal, pelo serviço de conexão e pelo suporte remoto nos três berços. A combinação entre distribuição elétrica e operação de conexão mostra que o projeto foi estruturado para uso recorrente por embarcações comerciais de passageiros.

Os primeiros usos comerciais também ajudam a dimensionar a maturidade da instalação. O **Valiant Lady**, da Virgin Voyages, esteve entre os primeiros navios de cruzeiro a utilizar o sistema em agosto de 2026. Em 23 de setembro, duas embarcações da Brittany Ferries e o cruzeiro MS Amadea conectaram-se ao sistema ao mesmo tempo pela primeira vez. A experiência integra o projeto **Sea Change**, que também gerou um white paper produzido pela Universidade de Portsmouth e pela British Ports Association.

## JNPA começa pelo financiamento

Na Índia, o ponto de partida é financeiro. A **IFC** firmou um empréstimo de US$ 70 milhões, com prazo de dez anos, para a Jawaharlal Nehru Port Authority. O acordo foi assinado em 24 de setembro de 2026, em Nova Délhi, e marca o primeiro financiamento azul do setor marítimo indiano. A operação também foi estruturada sem garantia soberana, característica que diferencia o projeto de iniciativas dependentes de uma cobertura direta do governo.

O capital será destinado à implantação de infraestrutura de **Shore Power Supply** no JNPA. Quando a estrutura estiver disponível, os navios atracados poderão desligar os motores auxiliares a diesel e receber energia da rede elétrica local. A iniciativa é apresentada como a primeira implantação comercial de shore power em escala na Índia. Diferentemente de Portsmouth, o projeto indiano ainda está associado à etapa de financiamento e execução da infraestrutura.

As estimativas divulgadas para o projeto indicam redução de **63% nas emissões de carbono** e de até 90% na poluição do ar, além da criação de mais de 400 empregos. Esses números descrevem projeções vinculadas à implantação financiada, não um balanço de operação já concluída. A distinção evita confundir metas ambientais previstas com resultados medidos após o início das conexões. O caso indiano combina, portanto, crédito de longo prazo, eletrificação do cais e expectativa de ganhos ambientais futuros.

## Do cais operacional ao projeto financiado

A diferença central entre os dois portos está no estágio de entrega. **Portsmouth** já colocou a infraestrutura em serviço, realizou conexões simultâneas e opera com três berços preparados para atendimento remoto. O **JNPA**, por sua vez, obteve o financiamento que viabilizará a implantação comercial da tecnologia. Um projeto permite observar a operação; o outro mostra como uma autoridade portuária está estruturando os recursos para chegar a essa fase.

As configurações também respondem a necessidades distintas. Em Portsmouth, a solução foi especificada para conexões de **11 kV e 6,6 kV**, com frequências de 50 Hz e 60 Hz, e para o atendimento simultâneo de até três navios. No JNPA, a informação disponível concentra-se no uso do empréstimo para permitir que embarcações desliguem motores auxiliares e se conectem à rede local. A comparação mostra que a eletrificação portuária envolve tanto compatibilidade técnica quanto capacidade de financiamento.

Para gestores portuários, os dois casos oferecem referências complementares. Portsmouth fornece uma demonstração concreta de conexão simultânea em uma instalação voltada a passageiros. O JNPA apresenta uma estrutura de crédito de **US$ 70 milhões** para levar o shore power à escala comercial em um porto indiano. O próximo marco do projeto asiático será a implantação da infraestrutura prevista no acordo, enquanto o porto britânico seguirá acumulando experiência operacional com diferentes embarcações e condições de conexão.

Portsmouth e JNPA avançam na mesma direção tecnológica, mas não pelo mesmo caminho. O primeiro já opera uma rede de alta tensão com múltiplos berços; o segundo começa com um empréstimo de dez anos para instalar sua estrutura de energia em terra. A leitura adequada dos números ambientais do projeto indiano é como estimativa de implantação, enquanto os dados de Portsmouth já incluem conexões efetivamente realizadas. Essa separação entre operação comprovada e projeto financiado ajuda o setor a avaliar investimentos em shore power com maior precisão.