---
title: "Tidetech e Shape Digital antecipam riscos em portos e offshore"
author: "Redação"
date: "2026-10-01 11:08:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/01/tidetech-e-shape-digital-antecipam-riscos-em-portos-e-offshore/md"
---

## Resumo
- A Tidetech desenvolve previsões de alta resolução sobre níveis de água e correntes para apoiar o planejamento de movimentos de embarcações em portos.
- Os padrões S-100, S-104 e S-111 permitem transformar dados hidrográficos em informações aplicáveis ao cálculo de folga sob a quilha e às janelas de maré.
- A Prio contratou a Shape Digital para implementar a plataforma Shape Lighthouse em três FPSOs e na plataforma Wellhead Polvo A.
- A Shape Lighthouse combina mais de 200 modelos de inteligência artificial e equações de engenharia para manutenção preditiva e gerenciamento de riscos.
- A Prio estima uma redução de cerca de 15% nas paradas operacionais indesejadas, com base em um projeto-piloto no FPSO Valente.
- Os casos têm objetivos diferentes, mas convergem no uso antecipado de dados para apoiar planejamento e manutenção antes que os riscos afetem a operação.

---

Em **2025**, duas aplicações passaram a levar a previsão operacional para pontos diferentes da atividade marítima: a **Tidetech** desenvolve previsões de alta resolução sobre as condições da água para apoiar portos e pilotos no planejamento de movimentos de embarcações, enquanto a **Prio** firmou em outubro um acordo com a **Shape Digital** para aplicar a plataforma Shape Lighthouse em ativos offshore. As duas frentes usam dados para antecipar decisões, mas atuam sobre riscos diferentes. A primeira acompanha a água que condiciona a navegação; a segunda procura sinais de falhas em equipamentos para reduzir interrupções na produção.

## A água entra no planejamento do porto

Na frente portuária, o ganho operacional começa antes da chegada ou da movimentação do navio. A Tidetech desenvolve previsões de alta resolução sobre as condições da água para oferecer a **portos e pilotos** mais tempo para planejar movimentos de embarcações. A informação apoia decisões que dependem da variação das condições aquáticas, permitindo que o planejamento considere a janela mais adequada para uma manobra, uma aproximação ou uma saída. A proposta está detalhada na [aplicação da Tidetech no planejamento portuário](https://www.porttechnology.org/news/smart-technologies-and-digitalisation/how-tidetech-is-bringing-water-forecasting-into-port-planning) e coloca a previsão no início do processo operacional, antes que a mudança da água afete a escala.

Essa abordagem também se conecta à digitalização dos dados hidrográficos. O padrão **S-100**, desenvolvido no âmbito da OHI, inclui o S-104 para informações sobre níveis de água. A Tidetech trabalha com dados que transformam a maré em uma variável disponível para o planejamento, em vez de tratá-la como uma informação isolada consultada apenas no momento da operação. Para terminais, armadores e equipes de praticagem, essa antecipação organiza a relação entre a condição prevista e o horário de movimentação, criando uma ponte entre informação ambiental e decisão náutica.

Na outra frente de dados aquáticos, o padrão **S-111** trata das correntes de superfície e amplia a leitura usada no planejamento de aproximações portuárias. A Tidetech tem colaborado com escritórios hidrográficos do Reino Unido, da França e da Austrália em testes de campo com dados de alta resolução de até **100 metros**. O objetivo descrito para esses testes é melhorar o cálculo do under-keel clearance, ou folga sob a quilha, e permitir janelas de maré mais precisas e eficientes. A tecnologia, portanto, não substitui o planejamento da manobra; ela fornece uma base mais detalhada para que esse planejamento seja feito antes da chegada do navio.

## A IA procura a falha antes da parada

No offshore, a variável observada deixa de ser a condição da água e passa a ser o comportamento dos ativos de produção. O contrato entre **Prio** e **Shape Digital**, firmado em outubro de 2025, prevê a implementação da plataforma Shape Lighthouse em três FPSOs, o Forte, o Frade e o Bravo, além da plataforma Wellhead Polvo A. A iniciativa busca aumentar a confiabilidade, reduzir custos de manutenção e maximizar a produção. A expansão alcança unidades em que uma falha pode afetar diretamente a continuidade operacional, mas o acordo não transforma a solução offshore em uma ferramenta de previsão de marés.

A plataforma combina mais de **200 modelos de inteligência artificial** com equações de engenharia para realizar manutenção preditiva e gerenciamento de riscos. Na prática descrita pela parceria, a análise procura reconhecer sinais de degradação antes que o problema alcance uma condição crítica para o ativo. A combinação entre modelos estatísticos e conhecimento de engenharia também diferencia essa aplicação da previsão portuária: o sistema offshore interpreta o comportamento de equipamentos e processos, enquanto a Tidetech interpreta a evolução das condições da água. As duas abordagens antecipam decisões, porém trabalham sobre fontes de risco distintas.

A **Prio estima uma redução de cerca de 15%** nas paradas operacionais indesejadas, mas esse número deve ser lido como uma estimativa apresentada pela empresa, não como um resultado já comprovado em todas as unidades incluídas no novo contrato. A referência usada para a projeção é um projeto-piloto anterior realizado no FPSO Valente. A distinção entre estimativa e resultado medido é necessária para avaliar a tecnologia com precisão, sobretudo porque a implementação agora alcança o Forte, o Frade, o Bravo e o Wellhead Polvo A, unidades com condições operacionais próprias.

## Previsão e manutenção seguem trilhas diferentes

A comparação entre os dois casos mostra uma convergência na forma de trabalhar, mas não na natureza da tecnologia. A **Tidetech** usa previsões sobre níveis de água e correntes para apoiar a escolha do momento e das condições de uma movimentação. A **Shape Digital** usa modelos de inteligência artificial e equações de engenharia para acompanhar ativos offshore e apontar sinais associados a falhas. Em um caso, o dado ajuda a organizar o movimento de uma embarcação diante de uma variável externa; no outro, ajuda a organizar a manutenção diante do comportamento do próprio equipamento.

Essa diferença altera também o tipo de decisão que chega à equipe operacional. No porto, a previsão pode apoiar a definição de uma janela de aproximação ou de manobra com base na condição esperada da água. No offshore, o alerta pode orientar a programação de uma intervenção antes de uma parada indesejada. A primeira aplicação está ligada ao planejamento da viagem e da escala; a segunda está ligada à disponibilidade do ativo e à manutenção. O ponto comum está no intervalo criado entre o sinal identificado e o momento em que o risco afetaria a operação.

Os dois modelos mostram por que dados antecipados precisam estar conectados a processos de decisão. Uma previsão de água só produz valor quando chega ao planejamento portuário com antecedência suficiente para influenciar a movimentação. Um alerta de manutenção só produz valor quando a equipe consegue avaliar o ativo e agir antes da falha. No caso da Tidetech, os testes com dados de alta resolução e padrões hidrográficos ampliam a precisão das informações de navegação. No caso da Shape Lighthouse, a análise de ativos procura reduzir a distância entre a detecção de sinais e a manutenção preventiva.

A aplicação da Tidetech avança com testes de campo conduzidos em colaboração com escritórios hidrográficos do **Reino Unido, da França e da Austrália**, enquanto a Prio leva a Shape Lighthouse para quatro unidades de produção offshore e usa um piloto no FPSO Valente como base para sua estimativa. Esses dados indicam estágios e formas de validação diferentes. A previsão portuária depende da qualidade e da resolução das informações sobre a água; a manutenção offshore depende da leitura dos ativos e da confirmação de que os alertas apoiam intervenções eficazes. Para o setor marítimo, a lição prática está em manter separados os resultados divulgados e medir cada aplicação pelo problema que ela foi criada para resolver.