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title: "Pulse Mobile leva operação portuária para antes do portão"
author: "Redação"
date: "2026-10-05 06:34:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/05/pulse-mobile-leva-operacao-portuaria-para-antes-do-portao/md"
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## Resumo
- A Boluda Shipping escolheu a plataforma Pulse Mobile, da TMEIC, para a unidade de Tenerife, nas Ilhas Canárias.
- A solução antecipa processos operacionais e de check-in antes da chegada dos caminhões ao terminal.
- A plataforma pode resolver até 80% das pendências antes do acesso ao gate, segundo os dados divulgados.
- A Pulse Mobile integra-se aos sistemas de operação de terminal e sistemas comunitários portuários existentes.
- Os ganhos projetados incluem redução de até 50% no tempo de ciclo e aumento de até 98% na disponibilidade de faixas.
- A TMEIC informa potencial de redução de até 60% nos custos de manutenção dos equipamentos de gate.
- Os números ainda dependem da operação na unidade de Tenerife e não comprovam implantação em larga escala.

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Em 1º de outubro de 2026, a **Boluda Shipping** e a **TMEIC Corporation Americas** anunciaram a implementação da plataforma Pulse Mobile na Boluda Maritime Terminals em Tenerife, nas Ilhas Canárias. A ferramenta foi escolhida para antecipar processos operacionais e verificações de check-in antes da chegada dos caminhões ao portão, reorganizando a interação entre terminal e transporte rodoviário. O projeto mira uma unidade específica e pretende responder ao aumento dos fluxos terrestres, sem apresentar os resultados projetados como prova de uma implantação ampla no setor.

## A operação é preparada antes da chegada

A decisão concentra o projeto em uma unidade específica da **Boluda Maritime Terminals**, onde o acesso terrestre será reorganizado por meio de uma plataforma digital. A implementação foi associada à modernização do terminal de Tenerife e ao objetivo de lidar com fluxos intensos e navios de grande porte. Essa delimitação importa para a leitura dos resultados, porque a iniciativa representa um modelo operacional selecionado para uma instalação concreta, e não uma adoção comprovada em toda a rede portuária da Boluda ou em diferentes tipos de terminais.

É nessa antecipação que está a principal mudança de método. A **Pulse Mobile** permite antecipar processos operacionais e de check-in e resolver até 80% das pendências antes da chegada dos caminhões ao terminal. Na prática, a verificação deixa de depender exclusivamente do momento em que o veículo alcança o gate. O percentual divulgado descreve a capacidade projetada da solução e deve ser confirmado durante a operação em Tenerife, mas o desenho já indica uma transferência de tarefas para uma etapa anterior do atendimento terrestre.

A plataforma também oferece visibilidade de ponta a ponta, desde a ordem de trabalho até a saída do terminal. Para isso, a **Pulse Mobile** foi descrita como compatível com os sistemas existentes de operação de terminal e sistemas comunitários portuários. A solução é agnóstica em relação a essas estruturas, o que elimina a necessidade de substituir a infraestrutura tecnológica atual. Essa característica aproxima o projeto de uma camada de integração, tema tratado também na [discussão sobre interoperabilidade em terminais](https://tecnologiaportuaria.info/post/2026/09/25/automacao-portuaria-enfrenta-o-desafio-das-frotas-mistas).

## O gate passa a trabalhar com dados antecipados

Os ganhos operacionais divulgados estão diretamente ligados à redução do tempo de atendimento no portão. A plataforma promete reduzir o tempo de ciclo em até **50%** e aumentar em até **98%** a disponibilidade de faixas. Esses números são projeções associadas ao funcionamento da solução, não medições de uma operação já consolidada em larga escala. Ainda assim, eles mostram quais indicadores a Boluda e a TMEIC pretendem acompanhar na unidade de Tenerife: duração do ciclo e capacidade efetivamente disponível para a entrada dos caminhões.

Essa promessa responde a uma pressão operacional específica. O aumento do volume de caminhões e as limitações de espaço físico nos terminais ampliam a possibilidade de gargalos e sobrecargas no acesso terrestre. Ao antecipar pendências, o projeto busca reduzir a quantidade de situações que precisam ser resolvidas no próprio gate. A mesma lógica alcança a sustentabilidade, pois a solução pretende diminuir o tempo de marcha lenta dos veículos e, assim, contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa associadas à espera.

Além do fluxo de caminhões, a proposta altera a forma de manutenção e supervisão dos equipamentos de acesso. A **TMEIC** informa que a solução permite reduzir em até **60%** os custos de manutenção de equipamentos de gate, como quiosques e impressoras. O gerenciamento remoto também afasta os operadores de máquinas pesadas e de áreas com ruído, segundo a descrição técnica da plataforma. Francisco Grau, diretor administrativo da TMEIC, afirmou que a ferramenta apoia a transição para operações portuárias guiadas por dados e conectadas.

## De Tenerife para a verificação em campo

Na unidade de Tenerife, a digitalização do acesso terrestre está ligada ao atendimento de navios de grande porte. **Gonzalo Calero Gómez**, CEO da Boluda Maritime Terminals, descreveu a iniciativa como um passo estratégico para ampliar a capacidade operacional e a competitividade do porto de Tenerife no Atlântico, especialmente no atendimento a navios ULCV. O aplicativo deve atuar sobre o acesso dos caminhões, minimizando gargalos e sobrecargas dentro do terminal. A conexão entre o gate e a operação marítima aparece, assim, como parte da modernização planejada para a instalação.

Ao organizar antecipadamente a relação entre o terminal e os caminhões, a plataforma cria uma camada de coordenação para os participantes do transporte rodoviário, incluindo transportadoras e motoristas. O valor operacional está na possibilidade de tratar informações antes da chegada física ao portão e manter a visibilidade até a saída. Essa conexão não substitui automaticamente os sistemas existentes, porque a solução foi desenhada para trabalhar com as estruturas de operação e de comunidade portuária já instaladas. Ela desloca o ponto de preparação da operação para antes do gate e concentra o acompanhamento em um fluxo digital.

O próximo passo anunciado é colocar esse modelo em operação na **Boluda Maritime Terminals Tenerife**. Até que a unidade produza dados próprios, os índices de 80% de pendências resolvidas, 50% de redução no ciclo, 98% de disponibilidade de faixas e 60% de redução nos custos de manutenção devem ser lidos como metas ou capacidades divulgadas para a solução. A implementação permitirá avaliar se a integração com os sistemas existentes entrega os ganhos previstos e se a preparação anterior à chegada consegue reduzir filas, intervenções presenciais e tempo de marcha lenta sem exigir a substituição da infraestrutura atual.