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title: "Gêmeos digitais aproximam Santos e Laredo no combate a gargalos"
author: "Redação"
date: "2026-10-06 17:01:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/06/gemeos-digitais-aproximam-santos-e-laredo-no-combate-a-gargalos/md"
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## Resumo
- Santos implantará um gêmeo digital do canal de navegação e da infraestrutura portuária.
- O mapeamento inicial do projeto brasileiro inclui a usina de Itatinga.
- Laredo terá um laboratório de gêmeo digital e resiliência logística na TAMIU.
- O projeto norte-americano recebeu previsão de US$ 772.700 no orçamento federal do ano fiscal de 2027.
- A iniciativa de Laredo representará a movimentação de cargas para identificar gargalos e antecipar interrupções.
- Os projetos atuam em escalas diferentes, mas usam simulações e dados para apoiar decisões logísticas.

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**Porto de Santos** e **Laredo**, no Texas, avançam em 2026 com projetos de gêmeos digitais voltados à antecipação de gargalos logísticos, embora atuem em escalas diferentes. Em Santos, o modelo virtual reproduzirá o canal de navegação e a infraestrutura portuária, incluindo a usina de Itatinga, para apoiar o monitoramento e as simulações em tempo real. Em Laredo, a **Texas A&M International University** recebeu a previsão de **US$ 772.700** em recursos federais para criar um laboratório capaz de representar a movimentação de cargas e identificar interrupções no corredor comercial. A comparação mostra como a mesma tecnologia pode organizar decisões sobre ativos físicos e fluxos de mercadorias.

## Do canal ao corredor de cargas

Em Santos, o contrato com o **Itaipu Parquetec** foi publicado no Diário Oficial da União em **13 de fevereiro de 2026**. A proposta prevê uma réplica virtual do canal de navegação e da infraestrutura portuária, com implantação em etapas. O trabalho começa pelo mapeamento das instalações, incluindo a **usina de Itatinga**, e cria uma base digital para acompanhar a configuração dos ativos portuários. A descrição completa do projeto está disponível na [reportagem sobre o gêmeo digital de Santos](https://www.portosenavios.com.br/noticias/portos-e-logistica/porto-de-santos-avanca-na-modernizacao-com-gemeo-digital).

Essa representação permite reunir, em um mesmo modelo, elementos que normalmente são observados por áreas distintas da operação. O canal de navegação passa a ser analisado junto das instalações portuárias, enquanto as simulações em tempo real oferecem uma forma de testar situações antes de sua ocorrência no ambiente físico. O objetivo anunciado é otimizar as operações, monitorar a infraestrutura e ampliar a capacidade de avaliar alternativas para a gestão do porto. A etapa de mapeamento, portanto, funciona como a base para as aplicações que virão depois.

Em Laredo, a unidade de análise é mais ampla. O Congresso dos Estados Unidos incluiu **US$ 772.700** no projeto de lei de dotações do ano fiscal de 2027 para a iniciativa da TAMIU, com anúncio feito pelo deputado **Henry Cuellar** em 2 de outubro de 2026. O recurso está destinado à criação do Digital Twin and Logistics Resilience Lab, em parceria com o Texas A&M Transportation Institute. O laboratório usará inteligência artificial, sensores e sistemas de dados para montar um modelo digital da movimentação de cargas, localizar gargalos e antecipar interrupções no fluxo de mercadorias. A [reportagem sobre o projeto de Laredo](https://www.lmtonline.com/local/article/tamiu-ai-freight-project-logistics-cuellar-funds-22460447.php) detalha a proposta.

## Duas escalas para a mesma decisão

A diferença entre os projetos está no objeto que cada gêmeo digital procura representar. Em Santos, o foco inicial recai sobre o **canal de navegação** e as instalações que sustentam a operação portuária. Em Laredo, o laboratório observará a circulação de cargas no corredor comercial, com atenção aos pontos em que uma interrupção pode comprometer a continuidade do fluxo. Um modelo acompanha a infraestrutura; o outro organiza a movimentação logística que atravessa diferentes participantes.

O projeto norte-americano também prevê um **Índice de Resiliência Logística** e um Mapa de Corredor Comercial Digital. A proposta inclui reforço da segurança cibernética dos sistemas de carga e integração entre especialistas em transporte, transportadoras, operadores de armazéns e despachantes aduaneiros. Esses componentes ampliam o uso do laboratório para além da visualização de dados, porque conectam a leitura dos gargalos às organizações que participam diretamente do transporte e do desembaraço das mercadorias.

A carta oficial de solicitação do financiamento associa a inteligência artificial ao aumento da **visibilidade das operações de frete em tempo real** e à detecção preditiva de riscos no corredor comercial. A aplicação descrita para Laredo depende, portanto, de dados capazes de mostrar o estado da movimentação e indicar alterações antes que uma interrupção se espalhe. Essa finalidade se aproxima da lógica de Santos, onde a réplica virtual permitirá simulações e monitoramento da infraestrutura, mas desloca o foco do ativo portuário para o fluxo de carga.

## A antecipação vira método operacional

Em Santos, o valor operacional do gêmeo digital está na possibilidade de simular situações sobre uma representação virtual do porto e do canal. A tecnologia foi associada à otimização das operações, ao monitoramento da infraestrutura e à realização de simulações em tempo real. Na prática descrita pelo projeto, a equipe passa a contar com uma referência digital para analisar o funcionamento do espaço portuário enquanto a implantação avança por etapas. O mapeamento das instalações de Itatinga integra essa construção desde o início.

Em Laredo, a antecipação aparece ligada diretamente à movimentação de mercadorias. O modelo digital deverá identificar gargalos e antecipar interrupções no fluxo de cargas, enquanto o índice de resiliência organiza a capacidade de avaliar riscos no corredor comercial. A participação de transportadoras, armazéns e despachantes aduaneiros dá ao projeto uma dimensão operacional distribuída, pois os dados observados não ficam restritos a uma única instalação ou a um único ponto da cadeia.

As duas iniciativas mostram uma mudança de escala na aplicação dos gêmeos digitais. O projeto de Santos começa pela reprodução virtual de ativos portuários e do canal de navegação; o de Laredo parte da representação digital do deslocamento de cargas. Em ambos, a finalidade anunciada é transformar dados operacionais em simulações, monitoramento e identificação antecipada de problemas. Essa conexão ajuda a explicar por que a tecnologia interessa tanto à administração da infraestrutura quanto ao planejamento do transporte.

Os próximos passos já estão definidos em níveis diferentes. Em Santos, a implementação começa pelo mapeamento das instalações e inclui a usina de Itatinga, antes da ampliação das simulações sobre a infraestrutura portuária. Em Laredo, a iniciativa depende da execução da dotação prevista para o ano fiscal de 2027 e da instalação do laboratório no Centro de Comércio do Hemisfério Ocidental da TAMIU. A comparação entre os dois projetos deixa um critério objetivo para acompanhar os resultados: verificar se as réplicas digitais conseguem transformar a observação de ativos e cargas em respostas antecipadas aos gargalos.