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title: "TOS portuário acelera operações ou amplia gargalos"
author: "Redação"
date: "2026-10-08 12:42:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/08/tos-portuario-acelera-operacoes-ou-amplia-gargalos/md"
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## Resumo
- A Saudi Global Ports lançou um TOS para terminais de uso múltiplo no Porto Rei Abdulaziz, em Dammam.
- A plataforma busca fornecer dados em tempo real, melhorar o planejamento de cargas e reduzir processos manuais.
- A SGP pretende expandir o sistema para outros terminais da Província Oriental.
- A migração para o Navis N4 no Durban Gateway Terminal, em agosto de 2026, foi seguida por atrasos marítimos e terrestres.
- A ministra Barbara Creecy exigiu um plano detalhado de recuperação para eliminar o acúmulo de carga.
- O tempo médio de espera dos navios em Durban caiu para 8,3 dias, ainda distante da meta de 24 horas.
- Os dois casos mostram que a transição operacional, os equipamentos e a resposta a falhas condicionam o resultado de um TOS.

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A **Saudi Global Ports** lançou no Porto Rei Abdulaziz, em Dammam, um TOS focado em terminais de uso múltiplo para buscar eficiência operacional e digitalização. No Porto de Durban, na África do Sul, a migração para o **Navis N4**, em agosto de 2026, foi seguida por atrasos no atendimento de navios e nas operações terrestres. Os dois casos mostram que um sistema de operação de terminal pode organizar decisões e fluxos, mas também ampliar um acúmulo de carga quando a transição não acompanha as necessidades da operação.

## O sistema começa pelo fluxo de dados

A operação em Dammam foi iniciada com uma plataforma voltada a fornecer **dados operacionais em tempo real**, otimizar o planejamento de cargas e reduzir processos manuais. A proposta coloca o TOS no centro da coordenação das atividades do terminal, conectando informação operacional ao planejamento de movimentação. Para profissionais de pátio, cais e controle, a mudança esperada está na disponibilidade de dados para organizar a execução das tarefas, e não apenas no registro posterior do que já aconteceu. A [implantação anunciada pela SGP](https://container-news.com/saudi-global-ports-launches-kingdoms-first-dedicated-multipurpose-terminal-tos) começa, portanto, pela visibilidade da operação.

Essa primeira implantação será seguida pela expansão do sistema para outros terminais da SGP na **Província Oriental**. A empresa também iniciou, em novembro de 2025, as obras do Terminal de Contêineres 2, vinculando a digitalização a um programa mais amplo de investimentos em infraestrutura portuária. A sequência indica que o TOS não foi apresentado como uma ferramenta isolada, mas como parte da reorganização de uma rede que passou a incluir operações de uso múltiplo. O resultado dessa expansão dependerá da capacidade de manter os processos compatíveis entre terminais diferentes.

A expansão anunciada também transforma a implantação inicial em uma etapa de validação operacional. Um sistema capaz de apoiar o planejamento no **Porto Rei Abdulaziz** terá de lidar com a transferência de procedimentos para outras unidades da mesma empresa. A fonte descreve metas de eficiência, dados em tempo real e redução de trabalho manual, mas não apresenta uma medição posterior de desempenho do novo TOS. Essa distinção evita confundir a capacidade anunciada da plataforma com resultados já comprovados e prepara a comparação com Durban, onde os efeitos da migração apareceram na forma de atrasos.

## Em Durban, a transição virou gargalo

No **Durban Gateway Terminal**, a migração para o Navis N4 ocorreu em agosto de 2026 e foi seguida por problemas que atingiram tanto o lado marítimo quanto o terrestre. O acúmulo de carga levou a ministra dos Transportes da África do Sul, **Barbara Creecy**, a exigir um plano de recuperação detalhado. As autoridades passaram a acompanhar diretamente a situação após visitas técnicas ao terminal, sinal de que a falha deixou de ser tratada como um ajuste restrito ao software e passou a exigir coordenação operacional e institucional.

A resposta começou a produzir uma melhora parcial nos tempos de espera, mas ainda distante da meta de processamento defendida pelo governo. A média de espera dos navios no Durban Gateway Terminal caiu para **8,3 dias**, enquanto a referência de 24 horas continua sendo um objetivo de longo prazo. A diferença entre os dois números mostra a dimensão do trabalho de recuperação: reduzir a fila não elimina automaticamente as restrições que afetam a movimentação no cais, no pátio e no acesso terrestre.

Os atrasos também foram associados a problemas nos equipamentos de carga e ao aumento do tempo de espera em ancoradouro após a transição. A **ICTSI**, operadora parceira da Transnet no terminal, planeja investir **R 737 milhões** para elevar a capacidade em 40% até 2030. O investimento aponta para uma resposta que combina sistema e ativos físicos, porque a disponibilidade de dados não compensa equipamentos incapazes de acompanhar o plano de movimentação. A recuperação, nesse caso, exige corrigir a implantação do software e tratar as restrições materiais que sustentam o fluxo.

## A implantação define o resultado

A comparação entre Dammam e Durban separa duas etapas que muitas vezes aparecem misturadas nos anúncios de tecnologia. Em Dammam, a SGP apresentou os objetivos do TOS, como **planejamento de carga**, dados em tempo real e redução de atividades manuais. Em Durban, a implantação do Navis N4 expôs atrasos no mar e em terra, exigindo uma intervenção da ministra. O contraste não permite concluir que um sistema é eficiente ou ineficiente por sua marca; ele mostra que a transição precisa preservar a continuidade da operação enquanto novos procedimentos entram em funcionamento.

A experiência da SGP também ocorre em uma rede que ganhou escala em julho de 2025, quando a empresa assumiu a operação de terminais de uso múltiplo em **Dammam, Jubail, King Fahad Industrial e Ras Al-Khair**, por meio de contratos de concessão de 20 anos. Em outubro daquele ano, a companhia informou ter ultrapassado **15 milhões de TEUs** movimentados no Porto Rei Abdulaziz desde 2015. Esses dados ajudam a explicar por que a expansão do TOS precisa ser acompanhada por procedimentos consistentes entre unidades, principalmente quando a plataforma passa a apoiar uma carteira maior de operações.

O próximo passo está definido de forma diferente em cada terminal. A SGP pretende levar o sistema a outras unidades da Província Oriental, enquanto Durban precisa executar o plano de recuperação exigido por Barbara Creecy e acompanhar a redução do backlog. A ICTSI ainda prevê o investimento de R 737 milhões e o aumento de capacidade até 2030. Para os operadores portuários, a lição é direta: um TOS entrega valor quando a preparação, os equipamentos e a resposta a falhas caminham junto com a tecnologia; sem essa coordenação, a troca de sistema pode transformar uma promessa de fluidez em mais tempo de espera.