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title: "Automação portuária avança com Vale e Eurogate"
author: "Redação"
date: "2026-10-13 13:21:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/13/automacao-portuaria-avanca-com-vale-e-eurogate/md"
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## Resumo
- A Eurogate encomendou quatro guindastes de empilhamento automatizados da Konecranes para Wilhelmshaven.
- A entrega dos ASCs está prevista para o segundo trimestre de 2028, com opção de quatro unidades adicionais em Hamburgo.
- Os equipamentos terão Active Load Control e integração ao sistema ECS do terminal.
- A Vale testará seu primeiro shiploader autônomo em dezembro de 2026, em Ponta da Madeira.
- O equipamento da Vale executará ciclos de carregamento sem comandos humanos diretos, sob supervisão.
- A comparação mostra estágios diferentes de automação entre o armazenamento de contêineres e o carregamento de granéis.

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Em 2026, **Eurogate Terminal Solutions** e **Vale** avançam em duas frentes de automação portuária com objetivos distintos. Na Alemanha, a Eurogate encomendou quatro guindastes de empilhamento automatizados da Konecranes para o Container Terminal Wilhelmshaven, com entrega prevista para o segundo trimestre de 2028. No Brasil, a Vale prepara para dezembro o teste de seu primeiro shiploader autônomo no Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís. A comparação importa porque coloca lado a lado a automação do armazenamento de contêineres e a autonomia no carregamento de granéis, preservando a diferença entre um pedido de equipamentos e um teste operacional.

## Do pátio ao carregamento de navios

Na Alemanha, o pedido da **Eurogate Terminal Solutions GmbH** envolve quatro Automated Stacking Cranes, conhecidos como ASCs, para o **Container Terminal Wilhelmshaven**. Os equipamentos serão fornecidos pela Konecranes e destinados à movimentação automatizada na área de empilhamento do terminal. O anúncio coloca o projeto na fase de contratação e preparação da implantação, sem indicar que a operação autônoma já esteja em funcionamento. A empresa detalhou o pedido em seu [comunicado sobre os novos guindastes](https://www.konecranes.com/press-releases/eurogate-orders-four-automated-stacking-cranes-from-konecranes-for-its-terminal-in-wilhelmshaven-germany).

Esse cronograma começa com um pedido contabilizado no **terceiro trimestre de 2026** e avança para uma entrega prevista no segundo trimestre de 2028. O acordo também inclui uma opção para quatro ASCs adicionais no **Container Terminal Hamburg**, ampliando a possibilidade de aplicação da mesma solução dentro da rede da Eurogate. Os guindastes utilizarão a tecnologia Active Load Control, associada à precisão e à estabilidade durante os movimentos de carga. A previsão de expansão para Hamburgo mostra que a decisão envolve mais de um ponto da operação da empresa, embora a encomenda confirmada esteja ligada a Wilhelmshaven.

Além da quantidade de equipamentos, a Eurogate definiu a integração com o sistema de controle de equipamentos, o **ECS**, como parte do projeto. A abordagem agnóstica de fornecedor permite que a solução seja conectada ao sistema existente do terminal sem depender de uma única origem tecnológica para toda a operação. Essa característica desloca a discussão da máquina isolada para a comunicação entre o equipamento automatizado e a plataforma de controle. Na prática, o desempenho do projeto dependerá da implantação prevista para 2028 e da integração dos novos guindastes à estrutura já utilizada no terminal.

Enquanto a Eurogate prepara uma implantação futura, a **Vale** se aproxima de uma etapa de validação operacional no Brasil. O primeiro shiploader autônomo da companhia deverá ser testado em **dezembro de 2026**, no Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís. O equipamento deverá executar ciclos de carregamento sem comandos humanos diretos, sob supervisão de funcionários. A iniciativa amplia a automação de uma operação que envolve o carregamento de granéis em navios, em vez do empilhamento de contêineres.

## Autonomia exige estágios distintos

O projeto da Vale parte de uma base operacional que já inclui **oito shiploaders operados remotamente** em Ponta da Madeira e outros quatro em Tubarão. A empresa, portanto, prepara uma mudança específica no grau de autonomia do carregamento, passando da operação remota para ciclos executados sem comandos humanos diretos. O teste de dezembro servirá para verificar esse funcionamento sob supervisão, conforme a descrição do projeto. Essa sequência deixa claro que o teste autônomo não deve ser confundido com a simples operação remota de equipamentos.

Na automação da Vale, a supervisão humana continua integrada ao processo, mesmo quando o equipamento executa o ciclo de carga de forma autônoma. A operação passa a exigir acompanhamento do comportamento do sistema e intervenção quando necessário, em vez do envio contínuo de comandos para cada movimento. Essa configuração distingue a autonomia operacional da retirada completa dos funcionários. A mudança também altera o foco do trabalho no terminal, que passa a combinar controle da operação e acompanhamento dos limites do equipamento.

O projeto brasileiro está conectado a outras ferramentas digitais usadas pela Vale para organizar o fluxo de embarques. O sistema **SIOP**, baseado em inteligência artificial, recalcula os planos operacionais a cada 30 minutos e considera dados de ferrovias, estoques, marés e características da carga. Segundo os dados disponíveis, a ferramenta aumentou os embarques em **1,5%** e reduziu a demurrage em até 2%. Esses resultados pertencem ao sistema de planejamento e não devem ser atribuídos automaticamente ao futuro shiploader autônomo, que ainda passará pelo teste operacional.

A diferença de estágio também define o que o setor poderá avaliar em cada iniciativa. No caso da **Eurogate**, os próximos marcos são a entrega dos quatro ASCs no segundo trimestre de 2028 e a integração ao ECS do Container Terminal Wilhelmshaven. No caso da Vale, o próximo marco é o teste de dezembro de 2026 em Ponta da Madeira, com ciclos de carregamento realizados sob supervisão. Um projeto mede a preparação de uma implantação de equipamentos, enquanto o outro coloca a autonomia para funcionar em uma operação de granéis.

Essa separação evita tratar todos os anúncios de automação como se estivessem no mesmo ponto de maturidade. A Eurogate confirmou uma encomenda com prazo de entrega e opção de expansão em Hamburgo, mas ainda não iniciou a operação descrita. A Vale já possui equipamentos operados remotamente e agora testa a execução autônoma do ciclo de carga em São Luís. Para terminais que avaliam soluções semelhantes, a comparação mostra que o tipo de carga, o sistema de controle existente e o grau de supervisão definem etapas diferentes de implantação.

Os dois projetos também indicam que a autonomia depende da relação entre equipamento e sistema de gestão. Nos terminais da Eurogate, os ASCs precisam conversar com o **sistema ECS** e operar dentro de uma arquitetura agnóstica de fornecedor. Em Ponta da Madeira, o shiploader autônomo será avaliado dentro de uma operação que já utiliza controle remoto e planejamento apoiado pelo SIOP. A tecnologia, portanto, aparece associada à integração operacional, e não apenas à substituição de comandos humanos por software.

Para a cadeia logística, os prazos fornecem referências concretas para acompanhar a evolução dessas iniciativas. A **Vale** deverá produzir o primeiro resultado operacional em dezembro de 2026, quando o shiploader será submetido ao teste autônomo no Maranhão. A **Eurogate** terá um horizonte mais longo, com a entrega dos equipamentos prevista para o segundo trimestre de 2028 e uma possível extensão para Hamburgo. O acompanhamento desses marcos permitirá separar a intenção de automatizar da comprovação do funcionamento em escala de terminal.

O próximo passo está definido para cada empresa, mas os resultados ainda pertencem a etapas diferentes. A Vale testará em dezembro de 2026 se o carregador consegue completar seus ciclos sem comandos humanos diretos, mantendo funcionários na supervisão. A Eurogate aguardará a entrega dos quatro ASCs em Wilhelmshaven e a integração ao ECS antes de avançar para a operação planejada. A automação portuária avança, assim, por caminhos distintos: um começa pela validação da autonomia em granéis e o outro pela implantação integrada de equipamentos no pátio de contêineres.